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sexta-feira, março 12, 2010

Romance no ar com Felipe Pena


Com um estilo livre, leve e solto, Felipe Pena apresenta o seu novo romance: "O MARIDO PERFEITO MORA AO LADO". O lançamento vai ter lugar no dia 18/3, quinta-feira, às 19h, na livraria Travessa do Shopping Leblon.

Felipe Pena é escritor, psicólogo, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC-Rio, Pós-Doutor em Semiologia pela Université de Paris/Sorbonne III. É autor de oito livros acadêmicos e do romance "O Analfabeto que passou no vestibular". O seu site é www.felipepena.com

sexta-feira, julho 03, 2009

Sobre diploma de Jornalismo: Hélio Alonso acredita que nada vai mudar

Aqui está o vídeo divulgado no Youtube com a opinião do Prof. Hélio Alonso, diretor geral da Facha - Faculdades Integradas Hélio Alonso, no Rio de Janeiro, sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo no Brasil. O vídeo tem cerca de dois minutos. A entrevista foi concedida em exclusivo ao blogue do Professor PC Guimarães.

terça-feira, junho 30, 2009

Alcino Correia: O homem do “Coração em Desalinho”


Com centenas de músicas gravadas e cerca de 600 por gravar, Alcino Correia é um dos maiores compositores de samba do Brasil. Português de nascença, natural de uma aldeia em Armamar, Ratinho, como é conhecido, tem hoje um sotaque completamente brasileiro ou, para ser mais preciso, carioca. O compositor conta com dezenas de prémios, um deles um Estandarte de Ouro, uma espécie de Óscar da música mais característica do Brasil. “Coração em Desalinho” e “Vai Vadiar” foram as músicas que levaram o letrista ao topo da tradição do samba, tendo conquistado o respeito de todos os bambas brasileiros. Todo esse passado pode render-lhe agora, aos 61 anos de idade, uma homenagem da Câmara Municipal de Armamar.


Reportagem: Ígor Lopes


Alcino Correia Ferreira recebeu a nossa reportagem na sua casa no bairro de Todos os Santos, na zona Norte do Rio de Janeiro. O compositor mora numa vivenda simples, agradável e acolhedora. No quintal, tem um espaço reservado para levar a cabo a arte do samba, onde se encontra com amigos, sambistas, num acto de valorização do samba de raiz. Veste-se de uma forma despojada, corriqueira, sem grandes preocupações com a imagem. O rosto fica meio escondido pela barba crescida, que serve quase como a sua assinatura.

A vida corre-lhe bem. É honesto e, por vezes, pacato, só estremecido pelos ares dos clubes onde actua, à noite, exibindo as rimas que fizeram dele uma referência no samba nacional. No seu estilo arrebatador, confessa que cantar não é o seu forte, embora seja muito respeitado na categoria dos compositores de samba, um dom que descobriu quando tinha 14 anos.

“Sou muito respeitado, pois todas as músicas que faço, por sorte minha, são sempre qualificadas como boas. Assim, o respeito cresce. Se você faz uma música que todos ouvem e cantam, você vai ser respeitado. Eu sou português, mas canto e faço samba como os brasileiros. Se eu estivesse em Portugal, faria música portuguesa”, enfatiza.

Sem papas na língua, diz o que lhe vem a cabeça. Não guarda rancor, mas odeia ser traído. É amigo dos seus amigos e ajuda a todos quando é preciso. O dinheiro é escasso, mas leva a vida como vai dando. Sem muito luxo, mas com muita alegria. Entre uma composição e outra, surgem novas ideias. E a gaveta vai ficando cheia de pedaços de papel com anotações de rimas e estrofes, à espera que alguém se lembre de dar voz às letras mais recentes. Em casa, tem uma relação amistosa com a sua esposa, Denize, que é brasileira, e com a sua filha mais nova, Priscila. O filho mais velho, Paulo Afonso, vive em São Paulo e, sempre que dá, conta com a visita do pai coruja. Os dois filhos nasceram no Brasil.

Na alma, leva a dinâmica não só de um grande compositor, mas também de poeta. Ratinho tem já pronto um livro. “Duas Faces – Fases” vai mostrar poemas, pensamentos, sonetos e crónicas do nosso entrevistado. A data do lançamento ainda não foi definida. Enquanto isso, também trabalha na sua autobiografia e em dois livros de crónicas intitulados "Quintais do meu subúrbio" e “Causos do Samba”.

Basta uma ideia e um pequeno gravador que sempre leva consigo quando sai à rua. Surgem assim, verdadeiras obras de arte da música brasileira, através da inspiração deste compositor. O carinho pela música é uma marca característica de Alcino Correia.

Antes de se dedicar a tempo inteiro à composição, Ratinho trabalhou como estafeta de banco e vendedor. Exerceu profissão também numa óptica e numa empresa de autocarros. Mas foi no samba que encontrou a sua vocação. Mesmo assim, garante: “A música nunca me deu o suficiente para viver”.

A chegada ao Brasil

No dia 5 de Março de 1948, nascia Alcino Correia, em Portugal. Ainda pequeno, corria livre, leve e solto pela aldeia de Lumiares, no concelho de Armamar, distrito de Viseu, na famosa região do Douro. Sendo o mais novo dos filhos de Afonso e Maria dos Santos, Alcino tem poucas recordações de Portugal.

“Lembro-me muito pouco de Portugal. Tenho algumas imagens de algumas coisas da minha infância. Uma das recordações é que as vezes íamos pegar castanhas e machucávamos o pé no ouriço. Uma vez me recordo da minha irmã Odete que me levava pela mão e eu vi uns bois soltos pela aldeia. Eles vieram na nossa direcção. Ela se escondeu atrás de um poste e eu caí e machuquei os dentes. Sei que devo ter bastantes parentes em Portugal, pois a minha família era muito grande”, recorda com um ar de nostalgia.

Pouco tempo depois, o seu destino estaria ligado ao Brasil e à cultura popular daquele país. Em 1953, ainda aos quatro anos de idade, Alcino chegava ao Brasil com os seus pais e mais quatro irmãos. A ida para as terras de Vera Cruz prendeu-se com a necessidade da família Ferreira encontrar uma vida melhor. A viagem de Portugal para o Rio de Janeiro foi feita ainda de navio e “foi muito enjoada”.

Desde então, Ratinho ainda não teve a oportunidade de voltar a Portugal. “Estou ansioso para que isso aconteça. Alguns dos meus irmãos voltaram e os meus pais foram lá muitas vezes”. Do regresso das férias dos pais, que já faleceram, Ratinho recorda, com água na boca, as guloseimas que eles traziam.

“Tenho boas recordações dos meus pais. Os nossos almoços eram todos baseados na culinária portuguesa, com muito bacalhau, além do famoso cozido. Lembro-me que sempre que os meus pais iam a Portugal, eles traziam azeite e enchidos deliciosos”, recorda.

Com os irmãos, mantém pouco contacto, por imposição da rotina da grande cidade. A história da sua família é um eterno vai e vem entre os dois países irmãos.

“O meu pai veio para o Brasil com um ano de idade, com os meus avós. Aos 19 anos, o meu pai voltou para Portugal, devido a uma doença pulmonar. Em terras lusas, conheceu a minha mãe, que era prima dele. Casaram-se. Mais tarde, viemos para o Brasil”, remata.

No Brasil conheceu as batucadas e a alegria do samba. Seguiu carreira. Mesmo assim, e por querer entender a lei de direitos autorais, licenciou-se em Direito, mas não pretende exercer essa profissão.

Agora, conta com 36 anos de carreira. Continua compondo e faz muito sucesso no mundo do samba. Tem cerca de 300 músicas gravadas e um historial de 600 canções ainda por gravar. “Nunca me preocupei em gravar. Nem tudo conseguimos gravar. As coisas vão acontecendo. As vezes, temos trabalhos mais importantes dos que os que foram gravados”, observa. Durante todos estes anos, nunca recebeu nenhum apoio por parte das autoridades portuguesas no Rio de Janeiro. Acabou por se naturalizar brasileiro.

Alcino não foi o único português de sucesso no samba no Brasil. A história dá conta também de Carlos Teixeira Martins (ou Carlinhos Maracanã) e Alfredo Lourenço. Mas as letras de Ratinho entraram para a história. Com uma sensibilidade ímpar, Alcino cativou os corações de uma camada considerável de brasileiros e não só. As suas músicas transmitem muita alegria e atitude, sem que ninguém se deixe ficar indiferente ao seu ritmo.

Criado no bairro de Pilares, também na zona Norte do Rio, cedo ganhou a alcunha de Ratinho. O nome surgiu quando tinha nove anos. O menino costumava mexer nas frutas da quitanda vizinha ao bar do seu pai. Sempre que era flagrado, gritavam: “Sai daí, Ratinho”. Surgiu, assim, o Ratinho de Pilares.

Actualmente, tem o coração dividido entre as escolas de samba Mangueira, Salgueiro, Portela e a equipa de futebol do Clube de Regatas do Flamengo. “Na Portela sou muito bem recebido. Mas sinto um impulso muito forte pela Mangueira”, confessa.

Profundo conhecedor do passado do samba, Ratinho insiste em explicar que o estilo veio do “batuque africano, mas teve influência do português em termos de instrumentos. O ritmo começou na Bahia. Mais tarde, veio para o Rio de Janeiro e tomou outra roupagem”.

Autor de várias músicas de sucesso, Ratinho ainda hoje é ovacionado quando apresenta as suas canções nas casas de espectáculo da cidade do Rio. Tal foi o sucesso de uma das suas letras, que o compositor baptizou a sua quinta, no município de Magé, como “Coração em Desalinho”. Mas, por motivos financeiros, a quinta, que tinha piscina, área dedicada à agricultura, campo de futebol e muito cómodos, acabou por ter de ser vendida para suprir as necessidades da sua família.

Talvez por essa razão, Ratinho esteja desencantado com o mundo do samba. Mesmo assim, mantém o rumo das composições. Ratinho reconhece que o compositor quase sempre vive à margem da sua criação, sem ter direito ao valor merecido pelas suas letras. Os méritos ficam com o cantor ou com o intérprete.

“O samba tem o lado bom e o lado ruim. Não é uma coisa valorizada. Ele chega a ser descartado da cultura popular. Vivemos da felicidade de compor e não de ganhar dinheiro. Ser compositor é difícil. Quase não se fala do compositor, mas sim do cantor. Muita gente que sabe cantar não tem gravadora ou não tem divulgação. O mercado é fechado. Ninguém vive de samba. As coisas acontecem como amador. Até hoje, não sei se posso ser considerado profissional. Por vezes, o samba é muito mais valorizado fora do Brasil”, garante.

A estreia no samba

Quando tinha cinco anos de idade, já escutava samba. Tinha um tio que fazia parte de um bloco que parava constantemente na Rua Djalma Dutra, em Pilares, zona Norte do Rio de Janeiro. Nessa casa, Ratinho vivia com a sua avó. Assim, escutava a batucada. Aquilo começou a soar bem no seu ouvido. Quando se mudou daquela casa, aos nove anos de idade, começou a ir para a escola de samba Caprichosos de Pilares que fazia os seus ensaios num clube na Rua Soares Meirelles, onde estava a viver. Ainda muito jovem, Ratinho contou com a ajuda de alguns amigos do pai para ter o aval para frequentar os ensaios

“Alguns amigos que frequentavam o bar do meu pai pediram-lhe para me deixar ir com eles. Mesmo contra a sua vontade, o meu pai deixou. Assim comecei a gostar de samba e a sambar”, relata. Mais tarde, a música tornava-se numa constante na vida deste compositor.

“Com 14 anos comecei a fazer umas rimas. Mostrava para os meus colegas e eles gostavam dos sambas que eu fazia. Quando completei 16 anos, fugi de casa. Fui para o morro do Salgueiro, onde o samba fervilhava com mais intensidade. A escola de samba do Salgueiro era grande. Dessa forma, comecei a viver no meio dos grandes nomes do samba”, explica.

Os parceiros musicais

Ratinho teve muitos parceiros ao longo da sua carreira. Compôs com Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Arlindo Cruz, Wilson Moreira, Walter Rosa, Guilherme de Brito, Cláudionor Santana, entre outros, além de uma parceria póstuma com Nelson Cavaquinho. Hoje em dia, o rei das letras de samba faz nascer canções com outros parceiros, entre eles Aldir Blanc e Rico Dorilêo, que viveu em Lisboa por dez anos, sempre a compor.

Mas foi com Monarco que encontrou o tom certo para o sucesso. Ao todo, durante essa parceira, foram criadas 180 músicas, tendo sido gravadas 60. A história do encontro desses dois sambistas é longa. Em 1967, Ratinho conheceu Monarco, na Portela. Dois anos mais tarde, Monarco gostou de um samba feito por Ratinho e acabou por completar a canção. “Assim começámos a nossa parceria. E deu certo”, lembra.

Muitas das suas canções, num total de 19, ganharam a voz de Zeca Pagodinho, um dos intérpretes de samba mais aclamados do Brasil, com uma extensa discografia e com milhares de cópias vendidas. “O intérprete dá mais ênfase ao que se está contando na música. O cantor geralmente tem uma voz bonita, melódica”, elucida Ratinho.

As letras de Alcino também foram interpretadas por Emílio Santiago, Leila Pinheiro, Beth Carvalho, Alcione, Ivete Sangalo, Jorge Aragão e o grupo Fundo de Quintal.

Por motivos pessoais, Ratinho está afastado dos seus dois principais parceiros: Zeca Pagodinho e Monarco. A nossa reportagem tentou contactar os dois, mas a agenda dos profissionais não possibilitou o nosso encontro.

O segredo de uma boa parceria

Com a experiência e depois de muitas músicas compostas, Ratinho descobriu o segredo para uma parceria dar certo.

“A música é um casamento. As vezes me chamam para fazer uma letra e eu digo o seguinte: primeiro, temos que namorar. Depois, noivar e casar. As vezes querem de qualquer maneira fazer parceria comigo, mas assim não funciona. Se a parceria não tiver um elo, pode até sair uma música bonita, mas depois cada um vai para o seu lado, não sobra mais a convivência e o lado gostoso do samba. Um parceiro é um amigo que queremos ter do nosso lado, mesmo sem ser para fazer samba. Ser parceiro não é só fazer música, é conviver no dia a dia, é conversar”, relata.

O compositor admite que fazer música é um dom e que, geralmente, não há intenções comerciais na criação de uma obra-prima.

“Não faço música para ninguém gravar. Faço música sem intenções, pois sinto vontade de compor. Sinto no meu coração e tenho uma inspiração. Por eu ter o nome que tenho hoje, é que muitos cantores se interessam por gravar as minhas músicas. Os intérpretes gostam das letras e decidem gravá-las. O público nem sempre conhece o compositor, mas nós existimos e criamos as canções”, explica.

Mesmo a crise mundial não lhe retira inspiração, nem nos piores momentos. Mas, segundo Ratinho, a Internet é a grande vilã no cenário musical.

“O mercado de discos está falindo no mundo inteiro, isso está acontecendo depois que a Internet surgiu, acabando com as vendas de disco em lojas. Os compositores estão sentindo muita dificuldade para sobreviver”, adianta.

A saudade aumenta quando fazemos o compositor recordar a interpretação da sua música que mais lhe agradou. Entretanto, aceita a renovação e os novos nomes que dão sucesso ao seu samba.

“Temos grandes cantores no Brasil. Mas tenho saudades de um que já faleceu e que cantava muito bem o samba. Ele se chamava Roberto Ribeiro. Na voz feminina temos a Alcione, que é uma excelente cantora. Mas, certamente, o mais famoso hoje em dia é o Zeca Pagodinho, pela forma como ele canta o samba. Gosto muito quando ele grava as minhas letras”, diz.

A carreira

No final de 1972, Ratinho gravou o seu primeiro samba enredo, que falava da coroação de Dom Pedro, para a escola de samba Caprichosos de Pilares. Na mesma escola foi campeão por sete vezes consecutivas. Em 1983, fez a última música para a Caprichosos. “Frequentei a escola nos anos 60 e 70. São sambas que se fazem para concorrer na avenida, na altura do Carnaval, de acordo com o tema que a escola apresenta. Um dos sambas que fiz foi campeão na avenida do samba, no Rio de Janeiro. Chamava-se “Lili” ou “Samba da Feira”. Com esse samba enredo de 1982, que se tornou num clássico, Ratinho foi homenageado pelos feirantes da cidade. Este foi eleito um dos melhores sambas daquele ano e um dos mais lembrados até hoje. Na época, a composição foi uma novidade, já que a canção contava com três refrães seguidos.

Em 1978, foi vencedor do Estandarte de Ouro, do jornal “O Globo”, em relação ao um samba que falava sobre a festa da uva no Rio Grande do Sul. “Com os prémios, o astral se revitaliza. O compositor vive da emoção que passam para ele”, sustenta.

Foi três vezes campeão de samba de enredo dos blocos “Embalo do Morro do Urubu”, “Difícil é o Nome” e “Boémios de Inhaúma”.

Em 2005, foi o vencedor do samba de terreiro na escola de samba Portela, com a canção “Voltei para Portela”.

Com Noca da Portela divide a autoria do samba “Não me venha com indiretas”, que foi utilizado com hino na época em que o Brasil lutava pelo voto directo.

Segundo Alcino, não foi difícil conquistar o seu espaço no samba, mesmo sendo português.

“Sinto-me totalmente integrado no Brasil. Pode até acontecer de um dia eu voltar a Portugal e querer por lá permanecer. Isso seria muito bonito, pois foi a terra onde eu nasci. O meu pai me levou para o Brasil, onde aprendi os costumes, a música e me tornei num compositor de samba. Se eu estivesse em Portugal, talvez fosse um fadista ou cantasse desgarrada”, salienta.

Sobre a música portuguesa, Ratinho mostra que o fado e o folclore são os estilos que mais admira.

“Conheço muito pouco a música portuguesa. As vezes, recebia uma cassete vinda de Portugal, com cantares bem regionais. Um marco para mim foi os fados que ouvi pela voz de Amália Rodrigues. Gosto também de folclore”, menciona Alcino, que sublinha ainda que “se não fosse no Brasil, em qualquer lugar do mundo estaria fazendo músicas”.

Os maiores sucessos

Entre 1986 e 1987, Monarco mostrou uma melodia para Ratinho. Nascia assim, a canção “Coração em Desalinho”, uma das mais emblemáticas da dupla de compositores.

“Ele (Monarco) fez a primeira parte da canção e eu fiz a segunda. O samba foi um sucesso em 1987. O Zeca Pagodinho teria vendido 700 mil cópias sem tocar no rádio, só na promoção boca a boca. Em todo os shows do Zeca, ele é obrigado a cantá-la”, explica.

A segunda parte de Ratinho tem poucas rimas, mas a melodia envolve-nos. Na mesma linha, está “Vai Vadiar”. A letra foi finalizada em 1999, após 17 anos esquecida.

“Eu cantava, o pessoal ria e gostava. O Zeca adorava. Mas ninguém gravava. Fui então incentivado por um amigo a terminar o samba. Um dia, na rua, nasceu a parte final do “Vai Vadiar”. Nessa música, o Monarco botou o verso do meio”, menciona. A canção “Vai Vadiar” foi eleita um dos 12 melhores sambas de todos os tempos, numa votação da Rede Globo.

Outros sucessos que ficaram na boca do povo foram “Parabéns para você”, eternizada na voz do grupo Fundo de Quintal, “A vaca”, “Meiguice Descarada”, “Termina Aqui”, “Água Benta”, “O dia se Zangou”, “A Feira”, “Loucuras de Uma Paixão”, “Tempo de Amar” e “Sua Presença”. “São sambas que eu canto e todo mundo sabe a letra”, diz orgulhoso.

Recentemente, gravou o seu primeiro Cd, com músicas inéditas. “Quis gravar umas músicas para dar para o Zeca, mas o trabalho estava tão bom que fui incentivado a fazer o meu próprio Cd”, conta.

“O Rato Sai da Toca” conta com 16 músicas inéditas, sendo dez de Ratinho com Zeca Pagodinho. “As vozes foram consertadas digitalmente. Não é preciso hoje em dia ter grande voz para cantar”, ironiza.

A “Toca do Rato”

Nos fundos da casa número 101, na Rua Conselheiro Agostinho, onde vive Ratinho, muitos cantores e compositores se reúnem para dar vida ao samba de raiz. Para ter acesso ao local, é preciso passar pela garagem, onde está um porteiro que cobra 10 Reais (pouco mais de 3 Euros) por pessoa. Logo na entrada, há um quadro com recortes de jornais que falam sobre o compositor. Mais a frente, numa pequena prateleira, estão algumas dezenas de troféus ganhos por Ratinho durante a sua carreira.

Uma rampa dá acesso à chamada Toca do Rato. Os dois primeiros domingos de cada mês são destinados ao encontro de amigos, sendo eles artistas ou apenas amantes desse género brasileiro. O local conta com algumas mesas e cadeiras de ferro. Há um pequeno bar que serve bebidas frescas e aperitivos. A cerveja é a mais consumida. Praticamente em frente ao bar estão expostos alguns quadros na galeria “Bartolomeu Júnior”, onde estão pintados rostos conhecidos do meio do samba. Também na parede podem-se ver várias fotografias coladas a uma moldura de cortiça de momentos e encontros importantes na vida de Alcino Correia.

Mais adiante, está uma mesa, com cerca de dois metros de comprimento, onde se posicionam os músicos. No centro da mesa está sempre uma imagem de São Jorge, um dos santos mais populares no Brasil. No microfone apresenta-se a estrela maior. Aquele compositor que não teve a oportunidade de estar nos programas de televisão, sendo ovacionado e valorizado tal qual os intérpretes das suas músicas. A Toca do Rato é considerada uma das principais rodas de samba do Rio de Janeiro.

“O objectivo é mostrar o lado cultural do samba. Quero mostrar ao povo a forma de fazer samba, a forma de cantar samba e, geralmente, falar de quem faz o samba. Pretendo dar a conhecer quem faz as letras e não quem canta. Estamos sempre ao lado do compositor, de quem criou aquela obra”, acentua.

A Toca do Rato está a funcionar há seis anos. Por vezes “fecha” e por vezes “abre”. “Os vizinhos reclamam. Eles dizem que o nosso encontro faz muito barulho”. A música começa às 16 horas e termina às 20h30. Na Toca, canta-se “um samba que não é barulhento, um samba feito com coração, autêntico”.

O samba em Portugal

O trabalho de portugueses como Roberto Leal, Carmem Miranda, Maria Alcina, Amália Rodrigues e Carlos do Carmo fez sucesso no cenário musical no Brasil. “Vejo isso com importância. Muitos portugueses vieram para cá e fizeram sucesso”, afirma.

Em relação ao samba em terras lusitanas, Ratinho é impiedoso: “Acho que poderia haver mais representação do samba em Portugal. O samba é um batuque, mas a harmonia é portuguesa. Deveria haver uma harmonia melhor entre música portuguesa e brasileira. Espero que isso mude num futuro bem próximo”, desabafa.

O possível regresso

Alcino não esconde a alegria de ter a oportunidade de um dia poder pisar de novo o chão da terra onde nasceu. Essa oportunidade pode surgir com a homenagem que a Câmara de Armamar quer lhe prestar.

“Hoje em dia eu amo o Brasil, pois é a terra onde vivo há 57 anos. Gostaria de poder conhecer mais a história e a realidade do Portugal contemporâneo. O que me ligava a Portugal era os meus pais. Sou mais brasileiro do que português. Mesmo assim, tenho vontade de voltar a Portugal, até por que foi lá onde eu nasci. O valor emotivo nessas horas é muito grande. Voltando a Portugal, gostaria de ter uma boa acolhida e de dar um pouco de mim para o povo de lá. Eu também faço parte de Lumiares”, alega.

A família e os amigos

Procurámos vestígios da família de Ratinho em Lumiares. Encontrámos Floripes Amélia Santos, de 59 anos. Ela é prima em terceiro grau de Ratinho. O seu pai é padrinho de um dos irmãos do compositor. Floripes não se recorda muito do familiar, mas conhece o seu trabalho.

“Sei que ele tem vários prémios no ramo da música. Em Lumiares, as pessoas conhecem pouco ou quase nada do seu trabalho. Por isso, seria muito bom poder trazê-lo cá e fazer-lhe uma homenagem”, sugere.

Quando era criança, Floripes costumava brincar com os irmãos mais velhos do seu conterrâneo. “Ele ainda era muito novo, mas os irmãos dele viviam em minha casa”, admite.

Falamos também com Aldir Blanc, um dos mais novos parceiros de Ratinho. Apesar de ser formado em medicina, Aldir actua como compositor e escritor, sendo um dos mais conceituados e reconhecidos do Brasil. Em relação ao novo companheiro de samba, Aldir é irredutível.

“Acho que o Ratinho representa um fenómeno único na música popular brasileira. Ele é inteiramente intuitivo. Ele é quase cem por cento inspiração. Usa um pequeno gravador nos transportes públicos, onde grava as suas impressões. E agora me trás para eu colocar a letra, já que sou um dos seus mais novos parceiros”, conta. Aldir reconhece o talento de Ratinho e a qualidade das suas letras.

“Ele ainda compõe sem a utilização de instrumentos. Mesmo eu, como letrista, toco um pouco de violão enquanto componho. Ninguém sabe como nascem coisas tão bonitas e tão ricas. Me impressiona muito essa tendência que é antiga no Rio de Janeiro e que o Ratinho talvez seja um dos últimos seguidores”, adianta Aldir, que alega que “trabalhar com o Ratinho é muito fácil”, já que ele “se adapta rapidamente à letra que você entrega, assim como é capaz de receber a letra que você escreveu para a música dele, ajeitá-la e fica mais bonita”.

O compositor brasileiro garante que é “raríssimo encontrar um parceiro dessa qualidade e dessa simplicidade”. Aldir complementa dizendo que Ratinho mudou algumas coisas no samba brasileiro. “Ele trouxe para o samba uma qualidade nova. Ele trouxe a intuição, trouxe a inspiração, trouxe uma forma nova de compor, onde o coração do compositor se sobrepõe a qualquer outra coisa. Eu não conheço ninguém na música popular brasileira de hoje que faça os sambas da forma, pureza e alegria como ele faz”, sublinha.

Actualmente, Ratinho e Aldir contam com seis músicas prontas. São sambas de meio de ano, que são gravados entre um carnaval e outro. “Muito me alegra encontrar um parceiro muito semelhante ao que sinto no íntimo. Acho que vamos fazer músicas que vão alegrar brasileiros e portugueses”, finaliza.

Ircéa Gomes é irmã de Zeca Pagodinho. Fã de Ratinho, já gravou uma das suas músicas, que se chama “Coração Criança”. Há muitos anos conhece e admira o trabalho desse letrista.

“Conheço o Ratinho há muitos anos no meio do samba. É um compositor conceituado. Faz um samba sério, de raiz. Quem sabe valorizar o samba genuíno está na Toca do Rato”, comenta Ircéa.

Para a cantora, a forma de compor de Ratinho serve de modelo. “O trabalho do Ratinho como compositor é excelente. É uma linguagem bem aberta. Ele é romântico. As letras são inteligentes e não corriqueiras. Ele continua no bom caminho das composições”, completa.

Lan é um caricaturista italiano famoso. Trabalha há mais de 60 anos na imprensa uruguaia, argentina e brasileira e é amigo pessoal de Ratinho. Através do samba, conheceu a identidade do povo brasileiro. Foi assim que teve contacto com Alcino Correia. Uma das suas novas funções é fazer a ilustração do livro de Ratinho.

“Tive a sorte de conhecer os maiores nomes do samba do Brasil. Considero o Ratinho um fenómeno excepcional no campo da cultura popular. Além de sambista é poeta. Eu admiro muito o Ratinho. O samba é a grande expressão nacional e marca o Brasil. Antes de mais nada, ele é um poeta que conhece a cidade como poucas pessoas”, assinala Lan.

André Freire é crítico e amigo de Ratinho. Este responsável, luso-brasileiro, conhece de perto a cultura do Brasil e garante que Ratinho faz parte dela como ninguém.

“O Ratinho significa a valorização da cultura brasileira. Ele é um nome importante no samba do Rio de Janeiro e do Brasil”, destaca.

Já a esposa Denize prefere lembrar as dificuldades que rondam a carreira de Ratinho.

“O Ratinho tem uma carreira que foi muito sofrida, com muitas dificuldades, mas o resultado é muito bonito e gratificante. As pessoas cantam as músicas dele com muito carinho. Em termos de finanças ele não é valorizado como deveria. Ele tem muitos sucessos e luta com dificuldade. A ideia da Toca foi mais minha do que dele. Foi a forma que encontrei de demonstrar o meu amor pelo seu trabalho”, argumenta. O casamento com o compositor dura já 29 anos.

Priscila é a filha mais nova do compositor. Estuda publicidade e tem 21 anos. Quando houve falar no talento do seu pai, o seu rosto esboça um sorriso sem fim.

“A música faz parte da nossa vida. Gosto muito das canções dele. Não só ele, mas a maioria dos compositores não tem o valor que deveria ter. Gosto de várias músicas dele, mas a minha preferida é “Vai Vadiar”. Fico toda boba quando alguém descobre que o meu pai é compositor de uma música de sucesso”, afirma.

Priscila recorda que quando era pequena também gostava de escrever músicas e gravava para mostrar ao pai. Mas hoje deixou a composição de lado. Sobre Alcino, acredita que ele tem muita música bonita guardada. “Ele só gravou um Cd, deveria gravar mais”, lamenta.

Já o seu irmão, Paulo Afonso, sargento do exército brasileiro, vive numa luta constante para tentar perceber por que o pai não tem o reconhecimento merecido para além da fama.

“A valorização da nossa arte se perdeu. Há uma inversão de valores. Qualquer música, qualquer rima, faz sucesso. Quando vejo uma música que o meu pai compôs há 20 anos fazendo sucesso, é sinal de que é um trabalho bom que vem durando décadas. Pode ser que a obra se torne imortal. Ele tem uma capacidade artística e criativa muito boa. Ele está dando a sua contribuição para que não se perca o bom samba de raiz, o bom pagode”, considera.

Paulo mostra-se orgulhoso do pai e sublinha que uma das coisas que mais admira é a capacidade criativa de Ratinho. “No meio de uma conversa, pode acontecer dele assobiar uma melodia, fazer uma rima e daí brotar um grande sucesso”, revela.

A nossa reportagem ouviu ainda Sérgio da Silva, presidente da Junta de Freguesia de São Martinho das Chãs, a qual pertence Lumiares.

Este responsável diz que já ouviu falar no trabalho de Ratinho no Brasil, mas não o conhece. “Gostaria de o conhecer. Não sei se ele ainda tem familiares vivos aqui em Lumiares, mas vou procurar”, adianta Sérgio, que diz-se contente em saber que há um filho da terra a fazer sucesso. “Queria vê-lo em Portugal, fazer-lhe uma homenagem e mostrar-lhe a sua terra natal”, termina.

Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal de Armamar, Hernâni Almeida, justifica que o mínimo que o concelho pode fazer em relação ao compositor é trazê-lo a Portugal para rever Lumiares.

“Conheço mais a história do Ratinho agora. Sei que é um compositor famoso ligado à música tradicional brasileira. Sei que já ganhou alguns prémios nessa área. E continua a desenvolver o seu trabalho com bastante qualidade”, realça.

O autarca destaca ainda que “gostaria de trazer o Ratinho a Armamar para que o povo do concelho pudesse conhecer o seu trabalho e a sua pessoa e que nos pudesse mostrar o que ele tem feito pela música brasileira, o que é um grande orgulho para o nosso concelho”.

O edil diz que ter um português, ainda por cima de Lumiares, que tem valorizado a cultura e a língua portuguesa é uma alegria.

“Penso que ele pode levar a imagem do concelho, os nossos usos e costumes, para o Rio de Janeiro. Seria interessante fazer um protocolo de colaboração com a Casa de Viseu da cidade do Rio. Era fundamental apoiá-lo. Ele poderia nos transmitir o seu trabalho e o seu conhecimento sobre a cultura brasileira. O Ratinho merece o nosso carinho. Ter alguém de Armamar que chegou a um patamar de projecção e de qualidade bastante grande é extremamente positivo para todos nós”, conclui.

A vida de Ratinho certamente daria um livro. Ou melhor, uma música. Alcino Correia viveu muitos desafios em sua vida. Foi escoteiro e estudou em colégio interno por dois anos. O seu espírito é criativo, versátil e irrequieto. Outra das suas facetas é ser inventor. Isso mesmo. Ratinho cria peças, como uma escova de dentes que vem com pasta, fio dental e espelho, além de um barbeador com espaço para pincel, entre outras invenções. Mas o seu passatempo preferido é compor. Criar músicas que deixam em desalinho milhares de corações brasileiros.

terça-feira, maio 12, 2009

Jovens de Moimenta da Beira recebem prémio do Parlamento Europeu

Fingir ser deputado não é uma brincadeira de criança. Pelo menos para os alunos do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira. Através de um projecto do Parlamento Europeu, em que os alunos simulam a vida de um deputado, com a apresentação de projectos e propostas de leis, os jovens do 11º e do 12º anos daquela escola tiveram a oportunidade de conhecer essa instituição européia, em Estrasburgo, na França. Apesar de ser considerado um jogo didáctico, essa actividade acaba por ser um verdadeiro exercício de cidadania.

Maria João Rede tem 18 anos e é líder do grupo que defendeu o projecto “Participação Cívica dos Jovens” do Parlamento Europeu. Durante três anos as estudantes Liliana Souto, Catia Camilo, Jeanete Fernandes, Raquel Silva, Inês Casimiro, Andréia Paiva, além de Maria João, participaram num jogo didáctico que envolveu escolas de todo o país, bem como escolas da União Européia. O resultado foi o terceiro lugar a nível europeu para a escola de Moimenta.

Como vice-presidente da Associação Distrital do Círculo de Viseu, Maria João, junto com as suas colegas, apresentaram opções sobre o que se pode “mudar na sociedade”.

“O jogo trata-se de uma simulação. Embora eu goste de política, não gostaria de seguir esse ramo, pelo menos por enquanto”, observou a aluna, que se diz surpresa com o Parlamento, pois “nunca imaginou como seria ver os deputados” a trabalhar.

José Mendes, de 23 anos, frequenta o 12º ano em Moimenta da Beira. Com a visita, este jovem teve a oportunidade de conhecer pela primeira vez o Parlamento Europeu. Na memória, fica a grandeza daquela instituição.

“Ser deputado é uma profissão interessante, já que há a possibilidade de ajudar a comunidade européia. Gostei de conhecer a organização do Parlamento, bem como as suas funções. Acredito que os eurodeputados trabalham para o bem estar e o futuro dos europeus”, destacou o aluno.

Conhecer a política européia

“É importante o cidadão perceber como é importante acompanhar a política européia. Os alunos de Moimenta da Beira devem estar gratos, pois são poucos os portugueses que conseguem ir ao Parlamento”, alertou Ana Antunes Vieira, directora geral de comunicação da Unidade de Visitas e Seminários do Parlamento, que foi quem recebeu o grupo português.

Ana Vieira apresentou aos alunos o organograma de funcionamento da unidade parlamentar e aproveitou para dizer que é “fundamental lutar contra a abstenção nas eleições européias” em Junho deste ano.

Já o socialista português Manuel dos Santos, vice-presidente do Parlamento Europeu, realçou que as eleições européias “ajudam a fortalecer a União Européia e o Parlamento”. O deputado salientou que a iniciativa de levar jovens portugueses ao Parlamento “é para continuar”.

“Está previsto mais investimento para essas visitas ao Parlamento”, disse o eurodeputado.

Formar cidadãos

Uns dos impulsionadores e coordenadores desse projecto em Moimenta da Beira foram os professores Maria do Carmo Aires e João Carlos Ferrari. Juntos, avaliaram e sugeriram mudanças no projecto, que rendeu a escola um diploma e um cheque assinado pelo Parlamento Europeu. Embora o valor não tenha sido revelado, o montante pagou os custos da viagem.

Os docentes recordam que “foi muito fácil coordenar esse projecto, uma vez que contaram com uma grande motivação e empenho por parte dos alunos”.

“Contamos ainda com o apoio do Conselho Executivo da escola, da autarquia da Moimenta da Beira, das Juntas de Freguesia do concelho e de algumas empresas locais. Essa viagem era um sonho, pois os alunos começaram por ser deputados na escola e acabaram por conhecer por dentro o Parlamento Europeu”, salientaram Maria do Carmo e João Ferrari.

O trabalho contou com a colaboração do Clube Europeu, do Agrupamento Vertical das Escolas de Moimenta da Beira, da Assembléia da República portuguesa, do Ministério da Educação, do Centro Jacques Delors de Portugal e da Unidade de Escolas e Seminários do Parlamento Europeu. A viagem a Estrasburgo e Paris foi apenas o culminar desse projecto, que reuniu alunos e professores.

“O balanço da viagem foi positivo. Conseguimos concretizar os nossos objectivos. Temos grande expectativa na continuação desse projecto”, sustentou Maria do Carmo.

Para dar continuidade aos trabalhos do Parlamento Europeu, já no início de Setembro, um novo grupo de trabalho, liderado por Mariana Nascimento, de 14 anos, assume agora as actividades. O tema a ser tratado é “Sexualidade e afectos”.

“Espero que os projectos de Moimenta sejam aprovados. Tenho em mente que, através desse trabalho, eu e as minhas colegas vamos poder desenvolver a nossa capacidade intelectual e o nosso espírito crítico”, salientou Mariana.

Para Alcides Sarmento, presidente da Comissão Executiva Instaladora do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira, o importante, além da classificação da escola no projecto, é a participação dos alunos.

“Este projecto do Parlamento Europeu enquadra-se mais como uma actividade didáctica. Na minha opinião, mais do que ficar em terceiro lugar, é importante a participação dos alunos nessa iniciativa. A escola apoiou o projecto, uma vez que a nossa missão é a de formar cidadãos. Fico satisfeito em saber que os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer o funcionamento de uma instituição européia como o Parlamento”, referiu.

Este responsável garantiu ainda que guarda “boas expectativas” de que esse projecto continue na escola com o novo grupo de trabalho. “A transição vai ser pacífica e fácil”, sublinhou Alcides Sarmento.

O Parlamento

Actualmente, o Parlamento Europeu acolhe 785 deputados de 27 países (com 23 línguas oficiais, incluindo o português), sendo 24 deputados de nacionalidade portuguesa. O Parlamento tem lugar de trabalho em Estrasburgo, Bruxelas (Bélgica) e Luxemburgo. Durante a visita dos alunos a uma sessão plenária no Parlamento, foi possível assistir a uma votação ao projecto de lei da eurodeputada portuguesa Ilda Figueiredo. A proposta, aprovada por maioria, trata-se uma maior regulamentação na comercialização de carne de aves de capoeira. Foi essa a oportunidade de os alunos ouvirem a política européia em português.

terça-feira, novembro 18, 2008

Lisboa discute jornalismo de investigação

O Museu da Comunicação, em Lisboa, foi palco do primeiro Congresso Internacional de Jornalismo de Investigação e Novos Meios Tecnológicos, no dia 7 de Novembro. O evento contou com a presença dos jornalistas Don Hale, do Reino Unido, Mark Briggs, dos Estados Unidos, e dos portugueses, Ricardo Fonseca e Manso Preto.A presença de dois grandes nomes do jornalismo internacional foi o mote para atrair dezenas de profissionais, professores e estudantes de jornalismo.
Segundo a sua organização, o objetivo do congresso foi “chamar a atenção para a importância da investigação jornalística séria e credível”. Uma das propostas foi incentivar os jornalistas portugueses, os professores e os estudantes de comunicação social a refetlir sobre a problemática do jornalismo na vertente da investigação apoiados pelas novas tecnologias.
Um dos oradores mais aguardados foi Don Hale. Este jornalista de investigação foi vencedor do prêmio da liberdade internacional atribuído pelo governo britânico. Hale é conhecido pela sua investigação jornalística, de mais de oito anos, que veio a provar a inocência de Stephen Downing, condenado por homicídio e preso durante 27 anos. O caso foi transformado em série de televisão pela BBC. Na altura, este profissional recebeu o prêmio de melhor jornalista britânico e melhor campanha de investigação do ano, na Grâ-Bretanha.
Don Hale falou sobre os caminhos da investigação, lembrando que as ameaças fazem parte dessa profissão. “Fui alvejado, atropelado e ameaçado. Trabalhei sob disfarce em alguns casos. As pessoas não gostam de jornalista de investigação”, conta. Uma das grandes questões do insucesso da investigação no jornalismo é o fato dos diretores dos órgãos de comunicação não dedicarem muito tempo a esse assunto. “Não fui apoiado pelo jornal onde trabalhava durante o caso Downing. Fui inclusive ameaçado de despedimento”, recorda Hale.
Já Mark Briggs, autor do livro “Journalism 2.0: How to survive and thrive in the digital age”, falou sobre a importância da tecnologia no panorama jornalístico no mundo.
Especialista em notícias interativas, Briggs liderou as operações on-line no The Herald, como administrador de conteúdos, chefe de equipe e diretor da New Media. Durante esse período, o The Herald recebeu vários prêmios de inovação on-line.
Para este profissional, a internet veio ajudar a promover o jornalismo. Com o advento dos novos meios tecnológicos, surgem novos conceitos na profissão, que passam por, segundo Briggs, transparência, autenticidade e colaboração. “Há ainda o surgimento de novas ferramentas sociais, como o facebook, myspace, hi5 ou orkut, que podem ser fontes de histórias fantásticas para o jornalismo”, acredita o jornalista americano.
Para defender o caso português de investigação, o jornalista Ricardo Fonseca, da revista generalista Visão, foi autor de uma das melhores apresentações do dia. Esbanjando experiência, Ricardo alertou para o fato de que para caminhar no jornalismo de investigação é preciso digerir ameaças e a dificuldade de ter acesso à fontes de informação preciosas e a documentos confidenciais.
Para o jornalista, é preciso haver, por parte do profissional de comunicação social, muita paciência e intuição. “O jornalista deve ir ao encontro da história. Sair da redação e conhecer quem são as suas fontes e quais são os seus objetivos é fundamental”.
Ricardo Fonseca fez já reportagens sobre os mais diversos temas, desde o fenômeno das máfias de Leste à construção ilegal ao longo da costa portuguesa. Ricardo trabalha com temas ligados à justiça, crime e segurança.
Manso Preto foi o primeiro jornalista em Portugal a ser condenado por se recusar a revelar as suas fontes. Autor do livro “Minho Connection”, este jornalista de investigação free-lancer diz-se desmotivado com a situação da investigação em Portugal.
“Tive o meu carro destruído no seguimento de um caso de entorpecentes que eu divulguei numa revista. Tive inclusive de mudar de casa”, afirma Mando Preto, que recorda que não pode haver investigação sem a garantia das fontes e que, em Portugal, é impossível fazer investigação com as leis atuais”, finaliza.

sábado, agosto 04, 2007

“Keane” aquece noite de verão no Porto




A banda britânica Keane esteve na sexta-feira, dia 3, na cidade do Porto, onde apresentou um show de arrasar multidões.
Milhares de fãs deslocaram-se ao Parque da Cidade para acompanhar a apresentação desta banda, que é hoje sucesso internacional, e que regressou a Portugal pela segunda vez. Em palco, os três integrantes do grupo mostraram muita disposição e talento e confessaram estarem admirados com o número de pessoas presentes no show, que marcou o fim da turnê mundial do último cd da banda, “Under the Iron Sea”, lançado em Julho de 2006, e que já vendeu milhões de cópias em todo o mundo.
Donos de um repertório musical de muito agrado por parte do público, os Keane proporcionaram uma apresentação recheada de cores e bom som.
Para a alegria dos que pagaram cerca de 25 euros para assistir ao espetáculo, os Keane cantaram e emocionaram a platéia com os seus maiores sucessos, entre eles “Crystal Ball”, “Is It Any Wonder?”, “Nothing In My Way”, “A Bad Dream”, além de “Somewhere Only We Know”, “Everybody’s Changing”, “This is The Last Time” e “Bedshapped”.
Antes dos Keane, subiu ao palco do Parque da Cidade a banda portuguesa EzSpecial, que promoveu o seu mais recente álbum “Alguém como tu”. O momento alto foi quando a banda tocou o single “Sei que sabes que sim”, que se mantém firme na segunda posição de música mais tocada nas rádios em Portugal.
Os Keane estão em digressão por todo o mundo com este segundo trabalho que se sucede ao estrondoso sucesso que foi o álbum de estréia, “Hopes and Fears”, de 2004. Em Portugal “Hopes and Fears” atingiu o galardão de dupla-platina.
Sob influência de grandes nomes do mundo da música como The Beatles, U2, R.E.M., os Keane nasceram em 1995, tendo lançado o seu primeiro single em 2000, “Call Me What You Like”, e em Junho de 2001, Wolf At The Door, ambos pelo selo Zoomorphic. Mas foi em 2004, com o lançamento do primeiro disco, que a banda britânica ganhou notoriedade mundial.
Ígor Lopes

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Imortais relembram Camões e Portugal no carnaval carioca

A escola de samba carioca, Estação Primeira de Mangueira, vai levar à avenida cinco Imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ivan Junqueira, Domício Proença, Antônio Olinto, Nelson Pereira dos Santos e Marcos Vilaça, presidente da ABL, irão desfilar ao lado dos 22 Imortais da Academia Mangueirense do Samba no carro dos Baluartes.
A parceria surgiu após a escolha do enredo “Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor”, desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, que abordará a história da língua portuguesa. O tema surgiu da própria inspiração da Mangueira, quando a escola esteve em São Paulo e conheceu o Museu da Língua Portuguesa, instalado na Estação da Luz.
Segundo Percival Pires, presidente da Mangueira, este ano, a nação mangueirense está levando para a avenida “um desfile cheio de orgulho, cujo tema vai exaltar Portugal, Camões e a língua portuguesa”.
Com orçamento de cerca de oito milhões de reais, a Mangueira vai ser a terceira escola a desfilar no domingo, dia 18, com oito carros alegóricos e quatro mil componentes.
“O carnaval 2007 será um desafio para a escola, já que o enredo escolhido não traz muitos patrocínios. Por isso, é preciso buscar parcerias”, afirma Percival Pires.

Ígor Lopes

quarta-feira, novembro 15, 2006

André Freire “estreita” caminhos culturais em Lamego



O Salão Nobre da Câmara Municipal de Lamego foi palco, na sexta-feira, dia 10, do lançamento do segundo livro de poemas do médico e escritor luso-brasileiro André Freire. “Pontexistencial. Do Rio de Janeiro para o rio Douro” reúne 43 poemas que traduzem as experiências vividas no dia-a-dia do autor. Ao longo das suas 89 páginas, a obra revela a necessidade deste escritor em criar pontes quase que existenciais entre cada passo da sua vida e o ritmo cultural que movimenta a sociedade. Sem delírios nem devaneios, André Freire pinta o tempo em tom de poesia, fazendo de todos os seus “pecados” uma arte irrefutável do seu prazer pela literatura.

Com casa cheia, a Câmara Municipal de Lamego recebeu a presença de várias figuras públicas e entidades do ramo médico e cultural, além de amigos do poeta, que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco das andanças deste escritor.

Segundo André Freire, “o livro preza por traduzir este casamento feliz, amoroso e existencialmente enriquecedor desta sua mágica e fascinante ponte existencial entre Portugal e Brasil”.

“Contei com a ajuda de alguns amigos na elaboração do livro, como os jornalistas André Luiz Lacé Lopes e Ígor Pereira Lopes, que participam desta obra, cada qual com um belíssimo poema”, completa André Freire.

Para Manuel Coutinho, vereador da Câmara Municipal de Lamego, “este evento reflecte toda a importância que a autarquia lamecense remete à vertente cultural”.

No final da cerimónia, foram declamados alguns poemas pelo escritor Mário Mendes, pela professora Rute Quintela, pela profissional de saúde Ana Maria Quintela, por Ígor Lopes e pelo próprio autor.

O evento foi marcado ainda pela exposição de fotografias de João Diogo Silva Leal e pelo acompanhamento musical de José Amadeu Terra.

Parte da verba obtida com a venda do livro reverteu para instituições de solidariedade social, como a “Caritas” e a “Rotary Foundation”. A obra pode ser encontrada na papelaria Lameg’art, em Lamego.

“Esta foi uma ajuda modesta. Porém, foi uma forma de poder contribuir com esta sociedade que me recebe de braços e corações abertos”, finaliza André Freire.

Recorde-se que André Luiz Castilho Freire tem 47 anos e é natural de Maceió, no Estado brasileiro de Alagoas. Médico por profissão, actua também como escritor, compositor e pintor. Participou activamente em entidades assistenciais, filantrópicas, sociais, Conselhos Municipais de Saúde e de Defesa Civil. Foi idealizador de um dos enredos mais emblemáticos da história da Escola de Samba carioca “Estação Primeira de Mangueira” - “Atrás da Verde e Rosa só não vai quem já morreu”. Está em Portugal desde 2002, onde, actualmente, exerce a medicina, no Centro de Saúde de Lamego, além de prestar assistência aos idosos e necessitados da Associação de Solidariedade Social e Recreativa de São Cosmado, em Armamar. Em 2004, lançou o seu primeiro livro de poemas: “A Certeza das Incertezas”, cuja parte da verba foi cedida aos bombeiros voluntários de Lamego e de Castro Daire. É membro da União dos Escritores e Artistas Transmontanos e Altodurienses (UNEARTA) e da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM). Em 2005, foi empossado como representante do Grémio Português de Nova Friburgo (RJ, Brasil), e nomeado representante desta instituição junto à Câmara Municipal de Santo Tirso, Portugal. Este autor é ainda membro correspondente internacional da Academia Friburguense de Letras (Nova Friburgo). Este ano, foi nomeado representante do Movimiento Cultural abrace, na cidade de Lamego. André Freire é também membro da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos (SOBRAMES), sendo responsável pela representação desta instituição em Portugal. No passado mês de Setembro, foi admitido no Rotary Club de Lamego.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Água mineral requer nova mentalidade no Brasil



A presidente do Comitê Científico da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (ABINAM), Petra Sanchez, considera que a população brasileira precisa começar a consumir água mineral de acordo com as suas características.

O alerta foi dado durante a sexta edição da “Termatalia”, a maior feira internacional de Turismo Termal, Termalismo, Talasoterapia e SPA, que decorreu entre os dias 27 e 29 deste mês, na cidade de Ourense, na Espanha.

Segundo esta responsável, “o consumidor deve ler as informações no rótulo para escolher o tipo de água mais conveniente à sua saúde, pois nem todas as águas são iguais. Umas favorecem alguns aspectos mais do que outras”.

“Os sais minerais presente na água oferecem uma enorme contribuição à saúde do organismo. Por exemplo, o Flúor atua na prevenção de cáries, o Magnésio aumenta o vigor físico e previne a hipertensão, o Zinco ajuda no processo curativo, o Bicarbonato controla a acidez do estômago, enquanto que o Cálcio previne a osteoporose e assim por diante”, sublinha Petra.

O Brasil é extremamente rico em diferentes tipos de águas minerais, que são provenientes de diferentes zonas de captação. Segundo dados da ABINAM, que conta com 32 marcas de água em processo de certificação, em 2005, foram produzidos quase seis bilhões de litros de água mineral em território nacional. A maior região produtora é o Sudeste (53,4%), seguida do Nordeste (22,5%), Sul (12,3%), Norte (6%) e Centro-Oeste (5,8%). O consumo per capta no Brasil é de 31 litros por ano.

Hoje em dia, sabe-se que o Brasil conta com uma reserva de água doce de 53 por cento. Esse número representa 12 por cento da água doce no mundo. No total, o Brasil tem um bilhão e 488 milhões de metros cúbicos de água no seu território. Embora a quantidade pareça muita, é preciso, desde já, preservar recursos.

O setor das águas minerais mostra profunda evolução, apresentando índices de competitividade em nível internacional, o que é fruto da criação de novos mercados e da necessidade de haver qualidade nesse tipo de serviço. A maioria dos empresários que trabalham com águas minerais está preocupada em preservar a qualidade desse bem precioso. Para Petra Sanchez, o segredo da qualidade da água mineral brasileira está no fato de que, atualmente, “o produto é envasado em complexos industriais sob modernos sistemas de envase e rígido controle de qualidade”.

No tocante ao termalismo, Petra Sanchez recorda que essa cultura ainda é muito prematura no Brasil. “Há poucos empresários que apostam nessa vertente de turismo. As termas existentes utilizam equipamentos desadequados e fora dos padrões de qualidade internacionais. É preciso, também, uma atualização em termos de tratamento”, afirma.

Garrafas brasileiras fazem sucesso

Durante a feira, a ABINAM apresentou cerca de dez marcas de águas minerais brasileiras, sendo que nove estão já certificadas. O design personalizado das cerca de 200 garrafas promovidas na Termatalia conquistou o público espanhol, que considerou as embalagens muito atrativas. Poucas garrafas sobraram no stand da Associação. Após um momento de prova, pode-se comprovar que a água brasileira se destaca por ser leve, saborosa e cristalina.

Igor Lopes

sexta-feira, outubro 27, 2006

Rede Bandeirantes descobre encantos do Douro















Uma equipe da rede Bandeirantes esteve no Douro, em Portugal, fazendo uma série de gravações sobre a região. Em pauta está a Região Demarcada do Douro que, este ano, celebra 250 anos de existência. O jornalista e apresentador Gilberto Barros desvendou os mistérios de um dos mais famosos espumantes do mundo, além de ter conhecido um pouco da cultura do norte de Portugal. Um dos pontos altos das gravações foi a paisagem vinhateira característica do local. As imagens serão exibidas nos programas “Sabadaço” e “Boa Noite Brasil”, ainda este ano, fazendo a alegria de muitos imigrantes portugueses que vivem de longe a saudade pela sua terra natal.

Gilberto Barros chegou ao Douro na passada segunda-feira, dia 23, acompanhado por Katia Gardin, Valter Leite, Anderson Pitombeira e o câmera Ulisses Cruz. O grupo foi recebido pelo presidente da Junta de Freguesia de Armamar, Romulo Pimentel, que ofereceu-lhes um jantar ao sabor de uma das tradições do concelho, no Mercantil: o cabritinho.

No dia seguinte, a equipe pode descobrir todos os mistérios de um dos melhores espumantes do mundo, nas instalações da Murganheira, no concelho de Tarouca. De seguida, a produção foi convidada a fazer uma verdadeira viagem no tempo. Com a ajuda do padre António Seixera, o Brasil vai poder conhecer a arte e a arquitectura do Mosteiro de Salzedas, através de traços marcantes dos séculos XII e XVIII.

A próxima parada foi na freguesia da Folgosa, em Armamar, onde os cinco elementos puderam embarcar numa rápida viagem de barco pelo rio mais famoso daquela região. Apesar da beleza das encostas do Douro, o passeio foi interrompido dado o mau-tempo que se fez sentir por todo o país. No local, o autarca de Armamar, Hernâni Almeida, fez as honras da casa, aproveitando para divulgar um pouco da cultura e história do Douro. O bacalhau com broa de milho foi o prato escolhido pelo restaurante AzDouro para saudar a presença dos visitantes. A empresa Fonseca & Pinto LDA, com sede em Tões, ofereceu algumas maçãs à equipe como forma de divulgar o produto de excelência do concelho.

Após conhecerem a vila de Armamar, o grupo seguiu viagem para o Porto. As filmagens vão contemplar também outras cidades portuguesas, como Fátima e Lisboa, além das localidades de Cascais e Estoril. A emissora brasileira vai levar ao ar uma entrevista com o técnico da seleção portuguesa, Luís Felipe Scolari, e o cantor português mais conhecido pelos brasileiros: Roberto Leal. As cidades de Lamego e da Régua também foram filmadas, mas todo o trabalho ficou condicionado pela chuva.

“A região do Douro é um sonho. As suas vinhas e a presença do rio tornam a sua paisagem um verdadeiro paraíso. Poucos lugares no planeta têm a beleza que esta região apresenta”, garante Gilberto Barros, que confessa ter ficado apaixonado pela riqueza histórica de Salzedas e pela modernidade na arte de fabricar o vinho na Murganheira.

“Aqui no Douro, encontrei um calor humano muito forte. Fomos muito bem recepcionados. O único problema foi compreender o sotaque português. Por vezes, as pessoas falam muito rápido”, completa o apresentador.

As imagens vão ao ar ainda este ano, no “Sabadaço” e “Boa Noite Brasil”. Nos horários de exibição, cerca de 15 milhões de espectadores vão poder conhecer a beleza e a cultura do país irmão.

Trabalho da Band esteve ameaçado

A produção dos dois programas da “Bandeirantes” viveu um autêntico pesadelo no dia da chegada a Portugal. No dia 20, ao desembarcar no aeroporto Sá Carneiro, na cidade do Porto, todo o equipamento da equipa foi retido pela a alfândega portuguesa.

“As autoridades nacionais alegaram que essa medida visava impedir que o equipamento fosse vendido em Portugal, o que é ridículo”, afirma Valter Leite, diretor do programa.

Segundo este responsável, foi ainda solicitado um depósito temporário, no valor de 12 mil euros, para que o equipamento de áudio e som, bem como a câmera, fossem liberados.

“Perdemos quatro dias de filmagem e atrasamos toda a nossa programação. O que mais nos revolta é saber que todo o nosso trabalho é em prol da divulgação da cultura portuguesa, mas assim é impossível trabalhar. Se o material, que estava devidamente legalizado e documentado, não fosse entregue, todas as nossas filmagens ficaram comprometidas”, esclarece Valter Leite.

O problema só foi resolvido quatro dias depois, após alguns trâmites legais.

Por sua vez, Gilberto Barros acredita que essa atitude pode ser traduzida como preconceito contra os brasileiros. “Se fossem cidadãos italianos ou ingleses, certamente a minha equipe não teria tido esse problema. Nunca passámos por algo semelhante em outros países”, finaliza o promete denunciar esta situação à Federação Internacional de Jornalistas.

Ígor Lopes

segunda-feira, outubro 23, 2006

Quitéria Chagas, uma musa do samba com talento para representar
















A novela “Páginas da Vida”, da Globo, está prendendo a atenção dos telespectadores de todo o Brasil. Entre os picos de audiência e algumas polêmicas, a trama surpreende a cada capítulo.

Em Portugal, a novela ainda não tem data para estrear. Mas tudo indica que até ao final do ano, os portugueses vão poder acompanhar mais um trabalho de Jaime Monjardim.

O elenco de “Páginas da Vida” está recheado de grandes nomes da dramaturgia brasileira. Mas há também jovens promessas no mundo da representação, como é o caso de Quitéria Chagas, que, de rainha da bateria, assume agora o papel de Dorinha, na novela das oito. Com um novo visual, a atriz promete muitas surpresas durante a trama.

Conhecida do público carioca pela sua participação no carnaval mais famoso do mundo, Quitéria Chagas dá os primeiros passos como atriz. Aos 25 anos de idade, dá vida a personagem Dorinha. Menos sensual do que quando está a frente da bateria do Império Serrano, esta jovem, que mudou de visual, continua atraindo a atenção dos noveleiros de plantão de todo o Brasil.

A oportunidade de fazer parte do elenco de “Páginas da Vida” surgiu após uma participação na novela “O Clone”, em 2002, quando conheceu Jaime Monjardim.

“Ele me incentivou bastante e comecei a estudar teatro. No carnaval desse ano, o autor da novela, Manoel Carlos, estava selecionando os atores para a novela e pediu para o produtor de elenco, Nelsinho, me convidar para fazer o teste e passei”, conta Quitéria, para quem fazer parte do elenco foi “a realização de um sonho”, ainda mais porque interpreta lado a lado de nomes consagrados da telinha. “O elenco é excelente, com grandes atores. É um aprendizado constante”, sublinha.

Mas, no início, os estúdios deixaram os nervos da atriz à flor da pele.

“O primeiro dia de gravações foi de muito nervosismo. Mas era natural porque foi a minha estreia em telenovelas, rodeada de atores renomados. Mas hoje já estou totalmente descontraída. O Ângelo Antônio e a Deborah Evelyn sempre me apoiaram muito”.

Dorinha é uma empregada comportada, dedicada à família e sempre muito obediente com relação a sua patroa. A personagem acaba por ser cúmplice dos problemas familiares, em especial da filha do casal, Giselle, que é interpretada pela atriz Raquel Queiroz.

A par da encenação, Quitéria Chagas garante que não há semelhanças entre a sua personagem e a vida real. “Sou descontraída. A Dorinha é muito certinha e séria. Mas é sempre muito legal fazer esse tipo de personagem porque exige mais em termos de atriz”, conta.

Como todo bom profissional, Quitéria não abre o jogo sobre o futuro da sua personagem e da novela e diz que o melhor mesmo é acompanhar a trama.

“As histórias do ‘maneco’ sempre surpreendem. Não sei exatamente o que vai acontecer com a Dorinha, mas espero muita coisa boa, uma reviravolta, uma mudança de comportamento. Até porque, ela vai participar da segunda fase da novela”, recorda.

Para Quitéria, ter o seu trabalho reconhecido era um desejo de infância.

“Ter fama abre muitos bons caminhos, mas pode ser também o detonador de uma verdadeira dor de cabeça. Apesar de que ser famosa era um sonho antigo”.

Mas a sua maior recompensa é ver que, nas ruas, o público reconhece o valor do seu trabalho. “Eu já era conhecida pela minha atuação no carnaval. Mas, agora, muita gente me aborda para falar sobre a minha personagem, dando dicas de como a Dorinha deve agir com a filha do casal. As pessoas se envolvem muito com a história”.

Para já, na televisão portuguesa, as atracões brasileiras são “Cobras e Lagartos”, “Bang Bang”, “Sinhá Moça” e a reprise de “Laços de Família”.

Um caminho de sucesso

Quitéria Chagas é conhecida pelo exuberante visual, pelo seu talento e pelo samba que sai do seu pé. Os seus dotes artísticos foram descobertos ainda na infância, com o apoio dos pais. Com apenas dois anos, entrou nas aulas de balé clássico e depois fez diversos cursos de dança, como jazz, sapateado, dança afro e do ventre. Mas foi com as aulas de samba com Carlinhos de Jesus que a carreira da musa decolou.

A estreia de Quitéria no carnaval aconteceu em 1999, como rainha de bateria da Escola Acadêmicos de Santa Marta. Em 2001, estreou no Grupo Especial, como passista, desfilando pela União da Ilha. Mas a sua projeção nacional ocorreu no final de 2002, quando participou das vinhetas de divulgação dos sambas-enredos do Rio de Janeiro e de São Paulo, na Globo, convidada pelo figurinista Chico Spinoza. A partir daí, surgia mais uma musa do carnaval. No ano de 2003, foi destaque especial de carro pela Unidos da Tijuca e Império Serrano. Nos dois anos seguintes, conquistou um cargo de honra na Império desfilando como rainha da escola. Em 2006, a bela assumiu o cargo de rainha da bateria do Império Serrano, do grupo especial do carnaval carioca.

A carreira na televisão teve início em 2000, incentivada pela mãe que, ao ver uma chamada de Carla Perez, no SBT, convidando o público a participar do concurso de dança no seu programa, não pensou duas vezes e inscreveu a filha. A bailarina foi selecionada entre 1.500 concorrentes. Semanas depois, já no programa, foi escolhida a melhor dançarina, recebendo um convite da própria Carla para integrar o corpo de balé oficial do programa. Com um estilo diferente de dançar e visual exótico, foi ganhando espaço e muitos fãs no programa “Canta e Dança Minha Gente”, sendo promovida a um quadro no qual apresentava as músicas mais votadas no país.

Um ano depois, Quitéria chamou a atenção de Gugu Liberato, sendo contratada como assistente de palco do “Domingo Legal”, substituindo Alessandra Scatena. Depois de algum tempo, Quitéria mudou-se para a Globo, atuando como bailarina nos programas “Planeta Xuxa-Verão”, “Domingão do Faustão” e na novela “O Clone”, a convite de Jaime Monjardim.

Esta é a história de uma jovem e sensual promessa que surge no mundo da encenação, com um belo gingado no pé. Muitas danças e um orgulhoso carisma marcam a curta, mas bem sucedida, trajetória dessa musa que invadiu as telinhas e encanta o Brasil.

Ígor Lopes

terça-feira, outubro 17, 2006

Larry Barradas lança "Ortodontia - Atlas de casos clínicos"

O profissional de odontologia, Larry Barradas, está lançando o livro "ORTODONTIA- ATLAS DE CASOS CLINICOS". Esta publicação é considerada um dos melhores trabalhos em relação à temática que aborda.
O livro oferece ao clínico uma referência para uso diário na clínica ortodôntica, como condulta e forma de conduzir seu tratamento. A obra tem 210 folhas com ilustrações coloridas e capa dura.
Para mais informações, acesse http://www.editorasantos.com.br

terça-feira, outubro 03, 2006

Amish e mennonitas

Os assassinatos de estudantes nos EUA têm colocado os amish no centro dos noticiários. No coração da mega-potência estes fazendeiros rejeitam o uso da eletricidade, telefones, veículos e alguns, até de botões. Os 200.000 amish que falam um dialeto derivado do alemão-suiço, não aceitam o seguro social nem prestam serviço militar e vivem separados do resto do mundo.

Eles provêm da ala anabaptista da rebelião protestante anti-papista da Europa Central, no Século XVI. Menno Simons (1496-1561) foi o fundador de uma seita que dava muita ênfase ao comunitarismo. Seus seguidores são 1.300.000 mennonitas que vivem imunes às modernizações e espalhados em 60 países (Atualmente em notável ascensão na África Central).

Os amish são uma ala dos mennonitas, criada em 1693 por Jacob Amman (1656-1730), que exigia a exclusão dos não puros - a mesma, emigrou para a costa Noroeste americana.

Nos 23 países de América Latina existem comunidades mennonitas, havendo núcleos com mais de 20.000 indivíduos em Honduras e na zona entre a Bolívia e o Paraguai.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Juliana de Faria lança livro mágico sobre o grito do Ipiranga




















Acima de tudo, o livro baseia-se numa grande diversão, em tom de conhecimento. O enredo começa através de uma simples visita a um museu. A partir daí, a curiosidade dos mais novos acaba por dar um novo rumo até ao chamado final feliz.

Um corriqueiro passeio ao Museu do Ipiranga na cidade de São Paulo, no Brasil, pode transformar-se numa grande aventura. Félix, Clarinha e toda os colegas de turma ficam impressionados com a grandiosidade do quadro Independência ou Morte!, datado de 1890, tendo como autor o pintor, poeta e romancista Pedro Américo.

Mas, quando a turma começa a afastar-se do Salão Nobre para continuar a visita ao museu, os dois descobrem uma pequena porta ao lado da obra. Ao entrar no quadro, eles são recebidos pelo próprio Pedro Américo. O pintor está ali para cuidar o tempo todo da sua obra. Pedro Américo propõe à dupla um grande desafio: encontrar as sete diferenças entre o quadro e a verdadeira cena da Proclamação da Independência do Brasil.

- “Já brincaram de jogo-dos-sete-erros?”, pergunta o artista.

É aí que Félix e Clarinha envolvem-se num passeio cheio de humor, suspense, enigmas e muita História.

Bem, o primeiro erro já podemos revelar: “Casacos pesados de veludo, botas de couro, chapéus... tudo muito chique para quem está a percorrer um trajecto longo e complicado, cheio de ribanceiras e subidas. O certo seria que eles estivessem com trajes mais simples e confortáveis... mas qual seria a piada de uma Proclamação da Independência com os heróis nacionais brasileiros vestidos com roupas de algodão sujas de barro?”.

Para descobrir os outros seis erros, é preciso ler “Independência

ou Morte!”, que destaca-se por ser o livro de estreia da jornalista brasileira Juliana de Faria. A obra, lançada pela Panda Books, conta com ilustrações de Ivan Zigg, vencedor do Prémio Jabuti de Melhor Ilustração Infanto-Juvenil de 2004.

Dentre as suas 56 páginas, o livro traz também a biografia de Pedro Américo Figueiredo de Mello (1843-1905), entre outras curiosidades sobre o seu quadro mais famoso, feito sob encomenda para o imperador Dom Pedro II. “Independência ou Morte!” é a palavra de ordem nesta viagem.

Note-se que Juliana de Faria nasceu em Dezembro de 1984 na cidade de São Paulo. Aprendeu a andar de bicicleta aos sete anos de idade nos jardins do Museu do Ipiranga. Todas as notas máximas que conseguia na sua escola eram nas disciplinas de Português, História e Arte. O seu objectivo era mudar o mundo, por isso, decidiu estudar jornalismo na Pontifica Universidade Católica de São Paulo. Actualmente, trabalha no Jornal da Tarde, tendo actuado nas editorias de Cidades, Turismo e Variedades. Mesmo assim, ainda nas horas vagas, caça os sete erros das revistas de banda desenhada.

sexta-feira, junho 09, 2006

Rock In Rio-Lisboa atrai fãs do Douro




A capital portuguesa recebeu nos dois últimos fins-de-semana o Rock In Rio. Tido como o maior festival de música do mundo, o evento atrai milhares de visitantes por onde passa. Em Lisboa, não foi diferente. Ao todo, em cindo dias de música, cerca de 360 mil pessoas visitaram a “Cidade do Rock” para ver os seus cantores predilectos ou, simplesmente, à procura de diversão. No meio da multidão no Parque da Bela Vista, encontrámos vários fãs da música provenientes desta região. Lamego, Régua e Armamar estavam representados num dos maiores eventos do mundo.
O Rock In Rio destaca-se por ser um festival para todas as idades e gostos. No domingo, este festival terminou a sua segunda edição em Portugal. Depois de ter conquistado o público brasileiro, a “Cidade do Rock” chegou a Lisboa, conquistando, também, os portugueses. Das milhares de pessoas que passaram pelo certame, algumas são naturais da região do Douro.
André dos Santos tem 18 anos e esteve pela primeira vez no Rock In Rio-Lisboa. A banda Red Hot Chili Peppers foi o motivo que o fez sair de Lamego para acompanhar o maior festival de música do mundo. “Os Red Hot Chili Peppers são a minha banda favorita. O concerto deles foi simplesmente fenomenal, tirando a parte dos empurrões, claro!”, conta este jovem que acompanhou a apresentação da banda bem de perto, nos primeiros lugares junto ao Palco Mundo.
A segurança e a organização são, de acordo com André, o ponto positivo do evento, mas nada como ver actuar o seu grupo favorito. “Quando os Red Hot subiram ao palco, o Rock in Rio veio abaixo. Foi o delírio completo”, recorda.
Na Régua vive outro amante da música. Manuel Santiago, de 18 anos, viveu dois fins-de-semana de sonho. Esteve na “Cidade do Rock” no primeiro dia para assistir ao concerto da Shakira e, acompanhado pela sua irmã e do amigo André, assistiu, também, ao delírio dos Red Hot Chili Peppers, no quarto dia de festival. Em relação ao dia preferido, Manuel lembra que são dias diferentes, “impossível comparar”. Como todo fã da música, este jovem faz já planos para o próximo festival. “Esperar pelo Rock In Rio-Lisboa 2008? Não! Em 2007, eu e os meus amigos estaremos em Espanha”, garante.
O último dia de concertos, no domingo, foi visto por muitas famílias que queriam, para além de ver os seus cantores favoritos, marcar presença num dos maiores eventos do mundo.
Foi o caso de Lourdes Cruz, imigrante portuguesa na Suíça, que antecipou as suas férias em Portugal para coincidir com o último dia do festival. Natural do concelho de Armamar, Lourdes “pediu ao seu cunhado que lhe comprasse os bilhetes”. Já dentro do recinto, ficou encantada com o tamanho da “Cidade do Rock”. Mas o momento alto foi ver o seu ídolo Sting em palco. “Há anos acompanho a carreira do Sting. Por isso, decidi conferir o seu concerto em Lisboa”. Para acompanhar os últimos acordes na capital portuguesa, Lourdes trouxe a sua filha de 19 anos, que esperava outro espectáculo para além do Sting. “Sou fã da Anastacia. O seu concerto foi espectacular”, refere.
Longe das multidões, a dupla promete agora passar uns dias na praia antes de visitar a sua terra natal.
No encerramento do evento, o empresário Roberto Medina garantiu o retorno do festival a Lisboa, em 2008. Para já, no próximo ano, o destino do maior festival de música pode ser Madrid. Logo aqui ao lado. Os fãs da música e do entretenimento já fazem contas para o dia do embarque.